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Cultura da Mobilidade - André Lemos (Brainstorm)

Em um mundo onde a comunicação é tão presente, a evolução dos meios era inevitável. Desde os primórdios, o homem usa da comunicação para representar seus pensamentos, indo desde pinturas rupestres à tweets, apesar de que atualmente, a comunicação se tornou muito mais ampla, onde, independente da classe social, o individuo tem acesso às redes sociais e outros meios de comunicação portáteis.


A internet gerou uma evolução em relação à mobilidade, ligando usuários de qualquer parte do mundo, ela deu alterou o que conhecemos por movimentação, já que podemos estar em qualquer parte do mundo sem sair de nosso computador. Existem meios que nos permitem verificar o espaço físico, antes mesmo de visitá-los, gerando um movimento maior em relação à informação física. O Google Earth, o Google Maps e o Google Street View geraram uma multi-localidade, onde a pessoa, estando no Brasil, consegue verificar o mundo ao seu redor, sem limitações. Agora, não só a cultura, como os lugares físicos estão globalizados.

A mobilidade física é diretamente ligada à mobilidade da comunicação. Juntamos meios de transporte às mensagens. Criando uma comunicação móvel. O mundo a nossa volta constantemente se locomove e leva junto a si suas diversas mensagens. Um ônibus, por exemplo, possui sua própria área publicitária, um exemplo perfeito de comunicação integrada a mobilidade. Mas ainda sim, como citado no texto de “André Lemos – Cultura da Mobilidade”, ele conta uma situação onde, em um trem que possui rede wireless, o autor está atualizando seu blog. Assim, mesmo se locomovendo fisicamente, o autor promove a movimentação virtual de informações.


Os celulares, notebooks, entre outros meios de comunicação portáteis, movimentam a comunicação tanto fisicamente quanto virtualmente. Agora, não há impedimentos para o acesso à informação. Assim então, houve a criação de correntes de informação de todos os lugares do mundo, quebrando barreiras que antes impediam certas culturas e locais de acessarem plenamente a cultura que agora se tornou global. Agora a integração entre pessoas é ampliada a níveis globalizados, diferenciando seu método de comunicação a dos Mass Medias, que limitavam a informação a apenas o recebimento dela passado por quem a produzia.

Apesar dessa quebra de barreiras sociais, o poder econômico e social ainda é visível, já que o poderoso possui maior voz. Não importa como essa voz é demonstrada: seguidores (twiter), amigos (Orkut), contatos (facebook), leitores (blogs), há uma maior visibilidade aqueles que possuem mais voz no mundo físico. Mas essa regra possui seu lado contrário, já que as redes promoveram uma ascensão social no mundo física para aqueles que ganham voz no mundo virtual. Assim, o individuo virtual ganhou um novo significado por trás do individuo físico, passando para algo além de um mero símbolo, para algo com status próprio.

Assim, o homem seguiu seu rumo à evolução da comunicação, mostrando como era previsível a sua necessidade de difundir sua cultura. Agora vivemos em um mundo onde a comunicação é constante, já que não importa o local ou o horário, a difusão de informação é presente. Não importa o que o homem realiza, tudo depende da sua capacidade de se comunicar de diversas maneiras e línguas.


Cultura da Mobilidade - André Lemos “Highlights”

“A mobilidade, em suas dimensões físicas (transporte de pessoas, objetos, commodities) e informacionais (sistemas de comunicação), criam uma dinâmica tensa entre o espaço privado (a fixação) e o público (a passagem, a efemeridade), entre o próximo e o distante, entrecuriosidade e apatia (Simmel, 1988).” (Página 2 – 2º parágrafo)

 

“Um tipo de mobilidade tem sempre impacto sobre outro. A mobilidade informacional-virtual tem impactos diretos sobre a mobilidade física e sobre o lugar e o espaço onde opera, e vice-versa. Não podemos dissociar comunicação, mobilidade, espaço e lugar. A comunicação é uma forma de “mover” informação de um lugar para outro, produzindo sentido, subjetividade, espacialização.” (Página 2 – 5º parágrafo)

 

“Uma mobilidade tradicional (até o fim do século XVIII); depois territorial (surgimento do Estado Nação no século XIX); globalizada (com os meios de transporte e comunicação do século XX); e hoje virtualizada, com as redes telemáticas e os dispositivos de conexão móvel e sem fio. Assim, cada formato engendra uma forma de relação específica com o lugar.” (Página 4 – 3º parágrafo)

 

“Com as novas mídias móveis digitais, amplia-se as possibilidades de consumir, produzir e distribuir informação, fazendo com que esta se exerça e ganhe força a partir da mobilidade física. Por exemplo, o simples ato banal de enviar um SMS, uma foto, postar no blog ou alimentar redes sociais com um telefone celular, revela essa nova relação sinérgica entre as mobilidades, impossível com os mass media.” (Página 5 – 1º parágrafo) 

 

“Como apontamos, a cultura da mobilidade não é uma novidade e não nasce com os dispositivos portáteis digitais e as redes sem fio da sociedade da informação. Jacques Attali (2003) mostra como a mobilidade, na figura do nomadismo, é uma constante na história da humanidade. O nomadismo seria mesmo a característica essencial da nossa espécie. Os processos civilizacionais e industriais nada mais são do que formas de controle sociais com o intuito de barrar e disciplinar o errante, o vagabundo, o flâneur, figuras vistas como disfuncionais à sociedade racionalista e disciplinar.” (Página 6 – 2 parágrafo)

 

“As mídias contemporâneas, globais, telemáticas e eletrônicas criariam,

portanto, novos sentidos de lugar e ajudariam a expandir a nossa percepção espaço-temporal produzindo “new sense of places" e "new sense of selves”.” (Página 8 – 2º paragrafo)


“Estava em um trem a 200 km por hora, conectado via Wi-Fi, me movimentando física e informacionalmente, escrevendo e publicando em meu blog informações, mensagens em forma de texto e imagens. (…) O trem em movimento sintetiza a discussão deste artigo: lugar, mobilidade, tecnologia, comunicação, transporte. Ele é a imagem da fase atual da computação ubíqua e móvel: um lugar em fluxo, um objeto rasgando o espaço a uma grande velocidade, de onde, como um mensageiro, partem e chegam mensagens eletrônicas de qualquer e para qualquer parte do planeta.” (Página 13 – 3º parágrafo)

Segurança ou Vigilância?

“Já houve quem fizesse uma aproximação conceitual entre o sistema eletrônico de vigilância e a estrutura de funcionamento da televisão. Ora por causa do uso comum de câmeras e monitores da mesma natureza, ora devido à semelhança entre o regime broadcasting de difusão e a estrutura em teia de aranha do dispositivo Panóptico de vigilância…”.


Segurança ou Vigilância?

”O Panóptico Universal”


Segurança ou Vigilância?
“Modernamente, com os progressos no campo da Inteligência Artificial, a presença do vigia tende a ser suprimida em definitivo, substituída pela prótese da percepeção, a visão assistida por computador.”.


Segurança ou Vigilância?

“Se há algo que marca a essência mesma da vigilância eletrônica é que nela nenhum vidente está mais implicado. As câmeras de vigilância não dependem, para funcionar, de um operador centralizado, muito menos de um gênio da manipulação que, da sua sala de controle, rege o destino dos observados como peças de um tabuleiro de xadrez. É bem mais provável que não haja mais ninguém olhando para os monitores de vigilância, a não ser os próprios transeuntes, a título de distração.


Segurança ou Vigilância?
“Imagine-se o aparato que seria necessário para vigiar todas as conversas telefônicas de uma megalópole como São Paulo, ou para censurar todas as cartas que passam pelos seus serviços de correios. A Densidade demográfica dos grandes centros urbanos não autoriza mais esquemas de controle direto, baseados no poder repressor de uma autoridade central.”.

Segurança ou Vigilância?

“Essas câmeras estão colocadas nos lugares mais estratégicos, ocupando os ângulos mais privilegiados de visão e distribuídas no espaço de modo a não deixar um único ponto livre do voyeurismo automático.”


Segurança ou Vigilância?

“Os sistemas eletrônicos de vigilância multiplicam-se em progressão geométrica por toda parte. Não apenas os aeroportos ou estações de trem e metrô, mas agora até mesmo as estradas, os túneis, os supermercados, os grandes magazines, os bancos, as fábricas e, no limite, escolas e instituições psiquiátricas, estão submetidos aos olhares técnicos e impessoais  da câmeras de observação.”


Segurança ou Vigilância?

 


O Panóptico Universal, sistema proposto por Jeremy Bentham, foi uma tentativa de implementar um projeto de prisão modelar. Com o desejo de desenvolver um novo método de vigilância, Bentham pensou que da maneira como dispusera o panóptico, a desindividualização do poder seria alcançada. Já que os prisioneiros se sentiriam intimidados com essa proposta arquitetônica, por desconhecer o que se passa na torre central de vigilância, até mesmo sem saber se existia ou não a presença de um vigia.

Os benefícios dessa maneira de fiscalizar foram profetizados pelo seu próprio criador, dizendo que essa nova maneira de segurança não estaria restrita apenas na esfera de prisões modulares, mas também em diversas instituições sociais, como escolas, fábricas, hospitais.

No entanto, o grande poder do panóptico começou a ser cada vez mais utilizado, conforme a tecnologia passou a ser implementada. Diferentemente da idéia da prisão modular, o que passou a existir são as câmeras filmadoras, escutas microscópicas, aliadas ao conceito de vigiar sem se expor. Diversas ferramentas de espionagem são aproveitadas de uma maneira que se imaginava nos antigos filmes do “espião 007”. Recusos como monitoramento via satélite, câmeras móveis camufladas, instaladas em pontos estratégicos.

Contudo isso não é algo que fica no imaginário das pessoas, basta passear pela região da Avenida Paulista que é possível se deparar com centenas de câmeras estrategicamente posicionadas. Além desse aparato de segurança que pode ser adquirido por qualquer um, existem empresas especializadas nesses tipos de serviços.

E como sempre existem as grandes referências de mercado, Eloy de Lacerda é um exemplo típico disso. Quando começou sua carreira de detetive nos anos 70, disse que a evolução nas técnicas de espionagem e segurança digital foi muito veloz. Ele que é detetive particular e chefe de um escritório de investigação, revela que cada vez mais objetos do dia a dia se tornam objetos de vigilância.

Através da tecnologia, quase tudo é possível. Sua empresa que é especializada em contra-espionagem industrial possui diversas ferramentas, como micro câmeras, escutas em forma de cartão de crédito, e até softwares de vigilância que podem fornecer monitoramento 24h por dia ao cliente, de onde ele estiver.

A idéia de que estamos sendo vigiados, hoje em dia, não fica restrita apenas ao físico, digitalmente esse conceito já existe. Seja navegando em sites, ou programas que se usa no computador e recolhem nossas informações para montar bancos de dados; o particular é praticamente nulo. Por medidas de segurança ou invasão de privacidade, a questão é que a navegação on-line in private (particular) na web, deixou de existir a muito.

Referências:

“Máquinas de Vigiar - Arlindo Machado”

 “O profissional do Segredo, Não Seja o Último a ficar sabendo - Eloy de Lacerda”